Quarta-feira, 12 de Maio de 2010

Poema - Amor?

 

 

Amor?
 
Numa casa pequena,
Sombria e quase abandonada,
Diz-se que vivia uma familia
por todos indesejada.
 
Posso então confessar
Que fiquei intrigada.
E para procurar respostas
Acordei motivada.
 
Foi por entre rumores que percebi
Que um segredo ali havia,
E com horror descobri
Que na mulher o homem batia!
 
Sem saber o que fazer
Ou em que podia ajudar,
Dirigi-me à pequena casa
Para com a mulher tentar falar.
 
A medo me atendeu
E me deixou entrar,
Pois o seu marido a qualquer hora
Podia para casa voltar.
 
Com tristeza e melancolia
Comigo desabafou,
Contou-me como havia sido um dia
e com que homem se casou.
 
Da sua tez branca,
Nada restava...
Apenas a marca de surras recentes
Que o próprio marido lhe dava.
 
Quando lhe disse para se defender
Com medo recuou.
Disse para não me meter
E para fora quase me enxotou.
 
Sem perceber o fundamento
Daquela reacção,
Perguntei-lhe o porquê?
E ela respondeu-me com o coração:
 
"Eu prefiro morrer...
Do que dele me separar,
Porque foi com ele que escolhi viver
E é só com ele que vou ficar.
 
Nunca vou amar alguém
Como amo o meu marido,
Apesar de todas as coisas
Que já possa ter sofrido.
 
Se algum dia ele me odiasse...
De desgosto ia morrer,
Pois de nada me serve a vida
Sem a pessoa que me faz viver!"
 
Com isto terminou
E a casa abandonei.
Só então percebi
Que lá o amor é rei!
 
Sem palavras prossegui
E com uma lição aprendida:
O quanto, por vezes, pode ser cruel
O amor na nossa vida!
 
Sofia Santos

 

 

Este poema é uma excepção, escrevi não porque tenha algo a ver com experiências passadas ou presentes, graças a Deus não tem nada a ver comigo, simplesmente foi uma forma que encontrei para tentar compreender o porquê de muitas vezes, mulheres ou mães de familia se sujeitarem a serem espancadas e humilhadas pelos maridos até um dia eles mesmos as matarem... Dias atrás enquanto jantava, uma reportagem no noticiário despertou-me a atenção, era uma lista vasta com o nome de vitimas dos próprios maridos, desde os 23 aos 82 anos, desde baleada a esfaqueada, mas afinal são seres humanos ou bichos? Este é um assunto que me choca e infelizmente bastante real... No entanto foi a pensar nas mulheres que escrevi este poema e quero acreditar que seja real, o facto de elas aguentarem tudo é por amor e não por medo, que no meio de tanto sofrimento exista algo de bom, algo que lhes faça viver...

 

 

Escrito por Sophia às 12:14
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Quarta-feira, 5 de Maio de 2010

Poema - Ironia

 

 

Por mero acaso o conheci!

Na altura nem me interessei,

Mas depois de muito pensar

é que pude realizar...

Que por ele me apaixonei!

Carinhoso, atencioso,

tudo o que podia desejar.

Mas não tardou a descobrir

que a seu lado não era meu lugar!

A principio não me importei,

Afinal era passageiro!

Até que... Chorei!

E descobri que era verdadeiro.

Tantos os que me quiseram,

Tantos os que fiz sofrer...

Mas só agora percebo, consigo ver:

Todos fiz sofrer,

Muitas foram as promessas esquecidas,

Histórias que nem chegaram a começar,

Histórias à partida... Perdidas!

Agora no seu lugar,

As coisas mudam de figura...

Sinto-me triste, deprimida!

Percebo como fui dura...

Outrora por todos desejada,

Hoje desejando alguém que não me quer,

Deixo para trás a criança!

E torno-me numa mulher!

Amar quem não me ama!

Ser amada por quem não quero!

É uma forma de gostar sofrida...

Sendo esta afinal a ironia da minha vida!

 

Sofia Santos

2004

 

Mais um poema escrito há alguns aninhos atrás, dedicado a uma daquelas paixões arrebatadoras que com o tempo não passam mesmo disso... Paixões! Hoje quando olho para este tipo de poemas dou conta de como a vida dá voltas e muitas vezes me questiono se não será mesmo obra do destino! Porque se no passado sofri... Hoje sou feliz! =)

 

 

 

 

Nota de Rodapé: Sem tempo para nada! =S
Escrito por Sophia às 10:43
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