Sábado, 25 de Setembro de 2010

Carta

A luz ténue do candeeiro a petróleo iluminava o que era agora uma carta de despedida, borrões de tinta ilustravam-na como se as lágrimas pretendessem ficar gravadas não só na sua face como também eternizadas numa simples folha de papel.

Maria estava sentada na cadeira ainda com a pena na mão, as lágrimas ainda não haviam cessado, no entanto, sentia-se mais leve, sabia que o seu sofrimento iria terminar muito em breve. Foi com este pensamento que ainda antes de dobrar a carta releu a última frase que escrevera – Por isso meu amor se ainda lá não estiveres, fica a saber que lá eu esperarei por ti! – Sorriu. Colocou a carta no envelope e ao lado uma folha onde deixou instruções e coordenadas para a mesma chegar ao seu destino.

        Saiu de casa apenas com a sua camisa de noite branca agora imaculada pela luz da lua, os seus pés descalços pisaram a erva verde molhada pela humidade da noite. A aproximação fez com que o som do rio enfurecido, pelas chuvas rigorosas de Inverno, se tornasse mais ensurdecedor.

Aproximou-se da ponte de pedra e percebeu como era lindo o rio iluminado pelo luar, conforme subia a ponte sentia cada vez mais o seu cabelo ser fustigado pelo vento e, apesar de gelado, naquela noite, não a incomodou.

Debruçou-se sobre a ponte e tomou consciência de que nunca se tinha apercebido de como era alta. Por fim ergueu-se na extremidade da mesma, respirou fundo e saltou.

O contacto com a água foi pior do que imaginara, o frio entorpecia-lhe os membros e comprimia-lhe os pulmões. Apercebeu-se que mesmo que tentasse lutar não conseguiria e, assim se deixou ir para procurar a paz que tanto ansiava.

Sentiu a água doce irromper-lhe pelos pulmões e uma sensação de abandono percorreu-lhe o corpo, antes de se deixar ir proferiu mentalmente as suas últimas palavras – Até breve meu Amor!

 

Na outra extremidade do oceano, semanas depois, Francisco recebia outra carta da sua amada. A guerra havia-lhe corroído a alma e já há meses que não escrevia uma única letra, recebia todas as cartas de Maria mas não tinha coragem de lhe responder, o que lhe havia de contar? Os corpos mutilados que via diariamente? Quantos amigos e companheiros via morrer diariamente a seu lado? Ou pior ainda quantas pessoas, seres humanos, havia ele tirado a vida desde que ali chegara?

Estava em pleno campo de batalha quando o comandante lhe estendeu a carta, Francisco agradeceu, baixou-se um pouco mais para se camuflar por completo e abriu-a:

 

Querido Francisco,

 

Há meses que não recebo notícias tuas… Receio que a vida te tenha abandonado! Não suporto mais viver neste silêncio, sofro a cada segundo com saudades tuas! O meu coração há muito que parece um farrapo abandonado à mercê do sofrimento! Amo-te com todo o meu ser e eu nada sou sem ti! Por isso se vida para ti foi efémera para mim também será… Amo- te meu amor e haja o que houver acabaremos juntos. Tomei a decisão de pôr termo à minha vida que há muito acabou, desde o dia em que partiste. A guerra tomou-te de mim fisicamente mas anseio pelo momento em que ficaremos finalmente juntos…

Por isso meu amor se ainda lá não estiveres, fica a saber que lá eu esperarei por ti!

 

                                                                                                                                                                                      Amo-te!

                                                                                                                                                                                        Maria

 

Lágrimas percorriam agora o rosto de Francisco, com a frustração a aflorar amachucou a folha com as mãos e gritou, um grito de dor que assustou os seus colegas por julgarem que tivesse sido atingindo.

Francisco limpou as lágrimas com as costas da sua mão manchadas de terra e sangue e, num puro acto de coragem levantou-se e começou a subir o monte de terra que o encobria do fogo inimigo. Seus companheiros de guerra gritaram e chamaram por ele desesperados mas Francisco não lhes ligou, ao elevar-se mais no terreno sentiu o seu corpo ser sacudido pela velocidade dos projécteis que o atingiam. A dor causada pelas balas em nada se igualava às saudades que sentia de Maria.

Num último instante de vida Francisco proferiu as suas últimas palavras em voz alta – Até breve… Meu Amor!

 

 

 

Quero desde já agradecer as boas vindas! +.+ Vocês são... Espectaculares, fantásticas, fabulosas! E eu já tinha imensas saudades disto! =)

 

Bem hoje escrevi um texto bem diferente do habitual... Apenas uma histórinha inspirada num livro que estou a ler da Danielle Steel "Estrela".

 

Prometo responder a todos os comentários até terça-feira! Prometo!

Nota de Rodapé: Hj estava inspirada!
Escrito por Sophia às 15:14
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Sábado, 18 de Setembro de 2010

Voltei!

 

 

 Senti os meus dedos tocarem no teclado, fluiam livremente dando finalmente asas à imaginação.

Sem esforço, sem obrigação... Deixei simplesmente a parte há algum tempo adormecida em mim vir novamente ao de cima, ganhar vida!

Como se me fosse devolvida uma parte que já me esquecera! Palavras brotavam dos meus dedos semelhantes a uma melodia interpretada por um músico talentoso! Senti-me novamente a ganhar vida a ser eu e com isto... Senti-me completa!

    A sensação de voltar a estar unida, poder sair do modo automático em que me havia tornado, poder libertar-me como se de uma masmorra escura e bafienta tivesse saído! Esta força de vontade fez-me sentir plena! Feliz!

    Com isto abri os olhos e percebi que estava a sonhar, dei por mim ainda de braços abertos num sinal de libertação deitada na minha cama, os lençóis não passavam de uns farrapos amarrotados, numa esperança vã ainda procurei mas não se encontrava lá, não havia nehum teclado, muito menos um computador. Já amanhecera, os timidos raios de sol tentavam penetrar pelos orificios da persiana, o depertador tocaria dali a 5 minutos mas a adrelina do sonho ainda me corria nas veias o que me impedia de estar sonolenta. Por fim o toque do despertador fez-se ouvir  desta vez não para me acordar de um sonho mas sim para me acordar para a vida. Levantei-me da cama a sorrir e com uma certeza: Voltei!

 

 

 

E agora para continuar!

Obrigada por todo o apoio que mesmo ausente me continuaram a dar!

Já tinha saudades disto... Mesmo!

Nota de Rodapé: Saudades de tudo isto!
Escrito por Sophia às 14:20
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